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Incertezas políticas e certezas econômicas

Por José André Freitas, economista da Unidade de Pesquisas Técnicas da FIEPE

A relação entre política e economia é muito mais ampla do que se imagina. Antes de passar a promover tal afinidade entre estas duas ciências, se faz pertinente uma rápida explicação de cada uma destas qualificações. O entendimento a respeito do termo “política”, que é derivado de Polis ou cidades-estados da Grécia antiga, recebeu ao longo dos séculos várias denominações. No entanto, a maioria das teorias se converge para uma consensual explicação, qual seja: Ciência da organização, direção e administração das Nações. Já no tocante ao termo “economia”, o que esta palavra tem como significação é, de certa forma, mais unânime entre os estudiosos. O termo teve origem também na Grécia antiga, que em princípo era “aquele que administra um lar”, após algum tempo, passando por algumas derivações (distribuição, direção, administração, acordo, renda pública de um Estado), hoje, é comum ver o termo “economia” como sendo as atividades humanas relacionadas à produção, distribuição, troca e consumo de bens e serviços de um país, na tentativa de alocar, perfeitamente, os recursos escassos para atender aos desejos ilimitados.

A economia e a política são de tal forma indissociáveis que o surgimento de um único termo, para resumir os conceitos, foi inevitável, emergindo, assim, a união entre o substantivo e o adjetivo qualificativo: Economia Política. Atualmente, tal expressão é, comumente, utilizada para se referir a estudos multidisciplinares que interrelacionam uma gama de conhecimentos apoiados na economia, sociologia, direito, ciências políticas, com o intuito de discernir sobre as instituições e os meandros políticos que infleunciam a conduta dos mercados. É, portanto, neste ponto, ou seja, na convergência dos dois conceitos que reside a necessidade de se fazer uma analogia com os acontecimentos políticos e a reboque os econômicos, onde as incertezas políticas que, naturalmente,  
"Mesmo com
mudanças políticas
no cenário nacional,
Pernambuco
é uma ótima
opção de
investimento"

permeiam um ano de eleição - elevadas pela lente de aumento de um pleito para escolha de Presidente da República, Governadores, Senadores e Deputados - trazem consigo, evidentemente, consequências no âmbito econômico e social.

Agora em 2010, por conta do pleito no início de outubro, ocorrerá (ou melhor, já está acontecendo) uma avalanche de acontecimentos políticos no Brasil que poderá levar a algumas mudanças estruturais, com resultados que mexem com o imaginário popular e refletem em efeitos impactantes no momento econômico e social do país. Com isso, alguns players do jogo econômico começam a rever seus projetos e refazer escolhas, levando a um cenário global que pode reconfigurar a estrutura socio-econômica do país. No tocante à questão político partidária pernambucana, onde ora se especula bastante sobre a escolha dos candidatos, aliada a uma relativa margem que oferece a legislação federal da eleição (a lei eleitoral 9.504/97), permitindo que os partidos escolham os candidatos e as respectivas coligações até o último dia do mês de junho, pode e deve surgir diversos contratempos até se formalizarem os candidatos. Portanto, até lá, teme-se que as incertezas políticas tensionem o ambiente econômico, e, consequentemente, ameaçem o desempenho bem satisfatório que vem ocorrendo no Estado.

Para melhor firmar o entendimento; de que Pernambuco, hoje, se coloca como uma ótima opção de investimento; os empresários pernambucanos da indústria de transformação e extrativa mineral apresentaram, ao fim do 4º trimestre de 2009, o melhor Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da série histórica, calculado pela FIEPE, o que, certamente, está ligado ao momento que Pernambuco passa. Sendo assim, sem querer premiar com méritos este ou aquele partido e o respectivo político, Pernambuco é sem dúvida, a chamada “bola da vez” entre os Estados da Federação. Portanto, para que isto perdure, as incertezas políticas de um ano eleitoral não podem, efetivamente, afetar a certeza do atual ritmo industrial pernambucano.



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