Crescimento do custo operacional desafia a competitividade industrial
Por Osângela Sena, economista da Unidade de Pesquisas Técnicas da FIEPE
Os custos das operações industriais do setor produtivo têm sido um fator comprometedor da competitividade nos últimos cinco anos. O estudo do IBGE, traduzido na Pesquisa Industrial Anual, revelou um crescimento expressivo desse fator na atividade operacional. Em um ambiente de concorrência imperfeita, onde os meios internos produzem o diferencial competitivo, cabe uma reflexão sobre o padrão das empresas pernambucanas, considerando como referência a evolução das condições operativas.
Tecendo uma análise sobre as variáveis que compõem o Valor Bruto da Produção (VBP) na Indústria de Transformação do Estado percebese que nos últimos cinco anos (considerando 2007 como sendo o último ano da pesquisa) os custos das operações aumentaram em 93,2%. Este aumento resultou no comprometimento de 59,5% do montante do VBP. Como consequência a indústria deixou de adicionar riqueza à economia, diminuindo o Valor da Transformação Industrial (VTI) já que, conceitualmente, o VTI corresponde à diferença entre o Valor Bruto da Produção (VBP) e o custo das operações industriais triais, calculado ao nível das unidades produtivas industriais e significa a contribuição dada ao produto interno bruto pelas inúmeras atividades industriais.
No contexto macroeconômico, uma elevação acentuada dos custos implica diretamente na perda da participação do segmento sobre a atividade econômica. Considerando o ambiente do mercado de produto este desempenho compromete a condição competitiva das fábricas. Os dados mostraram que os custos cresceram mais do que as receitas, sobretudo nos setores de maior peso na economia industrial do Estado. No setor de metalúrgica básica, por exemplo, as receitas das fábricas cresceram em 128% nos últimos cinco anos, enquanto que os custos das operações aumentaram em 290%, este incremento elevou a participação dos custos sobre o valor da produção de 30% em 2002 para 58,0% em 2007.
Dessa forma, as ações que visam aperfeiçoar os processos produtivos em resposta aos desafios colocados pelo mercado, que vêm impondo crescente capacidade adaptativa, ganham importância substancial nessa batalha. Na maioria dos casos, os programas focados no gerenciamento do processo produzem resultados de redução dos custos operacionais através da diminuição do desperdício e perdas. Essas estratégias produzem mudanças significativas sobre a produção e surgem como uma proposta eficiente e que possuem, relativamente, baixo investimento de capital.

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