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Empresário afirma que trabalho da FIEPE foi decisivo para desenvolvimento da indústria

SUPORTE: Empresário afirma que trabalho da FIEPE foi decisivo para desenvolvimento da indústria
 
  Dr. Severino Paixão     Aos 85 anos, o empresário Severino Elias Paixão é o “decano” - como ele mesmo faz questão de enfatizar - da FIEPE. Há mais de três décadas na insituição, vem acompanhando de perto as ações da Federação na luta pelo desenvolvimento, modernização e aumento da competitividade da indústria pernambucana. Seu Paixão, como é mais conhecido, atua como 1º diretor financeiro da entidade, além de ser presidente do Sindicato das Indústrias de Doces e Conservas Alimentícias  
  de Pernambuco. Em entrevista ao Jornal da Indústria, o mais antigo diretor da FIEPE relembra a trajetória percorrida pela entidade durante seus 70 anos e dá opinião sobre temas atuais, como: crise financeira mundial e os benefícios de Suape para o setor produtivo.  

Jornal da Indústria (JI) - Qual a sua visão da evolução da indústria pernambucana?
Severino Paixão (SP) -
A monocultura de cana-de-açúcar sempre teve inegável importância histórica e econômica no estado, o que fez as usinas de açúcar prosperarem e dominarem a economia regional por muitos anos. Acontece que essa centralização restringiu o desenvolvimento de setores produtivos diversificados, fazendo com que atuassem enquanto coadjuvantes. Porém, o cenário vem se alterando e desde a década de 90, com os investimentos estruturadores, Pernambuco vem crescendo rapidamente. O parque fabril se diversificou e explora, principalmente, os setores alimentício, químico, materiais elétricos, comunicações, metalúrgica e minerais não-metálicos.

JI - Como a FIEPE contribuiu para este desenvolvimento nos últimos 70 anos?
SP -
A Federação sempre fez jus ao título de entidade representativa do setor produtivo. Por isso, suas sete décadas de existência são marcadas pela luta em prol da modernização e aperfeiçoamento empresarial pernambucano. E, com a criação do SESI, SENAI, IEL e CIEPE, a contribuição, principalmente no que se refere a competitividade industrial e transformação socioeconômica, foi intensificada. Isso é resultado, principalmente, dos serviços oferecidos aos filiados até os dias de hoje, como capacitações, suporte para exportações e intermediação de convênios internacionais, pesquisas técnicas, apoio jurídico, além de ações nas áreas de saúde, educação, cidadania e meio ambiente.

JI - Qual o principal desafio da atual diretoria da Federação para que o parque fabril do estado continue em crescimento?
SP – Manter a cobrança ao setor público para que haja redução da carga tributária, desonerando os investimentos realizados pelas empresas e aumentando a competitividade. A exemplo da Carta da Indústria, elaborada pela CNI em 2008. O material contém propostas para melhorias não apenas na área de tributação, mas de comércio internacional, infraestrutura, inovação, legislação trabalhista e meio ambiente. Pois, esses setores, quando bem estruturados, serão capazes de alavancar o setor industrial.

JI – Além da alta carga tributária, o senhor considera a atual crise financeira mundial obstáculo para o crescimento do setor produtivo?
SP – De modo geral, sim. Entre os prejuízos causados pela crise no País está a redução na comercialização de produtos, principalmente nas exportações. Mas, no caso de Pernambuco, as condições são outras. Não dependemos tanto do mercado externo e, por isso, vivemos momento tão favorável. Acabamos de receber grandes indústrias e a expectativa é aumentar o parque fabril do estado devido, também, aos investimentos no território de Suape.

JI – O senhor acredita que, com os esses investimentos estruturadores em Suape, Pernambuco está no caminho do desenvolvimento?
SP – Evidente que sim. Pois, além de Suape, temos outros investimentos, como a Transnordestina e a transposição do Rio São Francisco, que também beneficiarão o setor industrial.

JI – Como o setor empresarial, localizado no interior de Pernambuco, pode se beneficiar desses investimentos?
SP – Fortalecendo o comércio internacional. Suape se tornou importante centro de convergência dos produtos produzidos no interior, que, daqui, são distribuídos para o mundo. Temos potencialidades que devem ser exploradas, beneficiando todos os pernambucanos.

* Entrevista concedida ao Jornal da Indústria, edição Junho/2009.



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